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51 Opinião
23 de junho de 2017

O poder está dentro de si, por Filomena Gonçalves

Sempre gostei de desenhos animados. Devorei os da minha infância e os da infância dos meus irmãos mais novos. Por incrível que pareça, os desenhos animados dão-nos algumas lições que nos marcam para a vida.

Uma dessas séries animadas que seguia, na época ainda legendadas, era He-Man.

Lembram-se do rapaz loiro, de cabelos esvoaçantes, que empunhava uma espada para se transformar num temível guerreiro em lutas contra o mal? Logo na apresentação de cada episódio ele dizia umas palavras sonantes “The power is yours!”. E as palavras ecoavam duas ou três vezes até a aventura do dia começar. E durante a transformação ele reiterava “I have the power”.

Com efeito, o poder é de cada um e está em cada um. O poder de ser o que quisermos, da forma que mais gostarmos, para os efeitos que escolhermos.

Sabendo o que somos e acreditando nisso, iremos manobrar o nosso poder à medida das necessidades de cada momento. Mas precisamos acreditar! Um bom exercício para perceber em que ponto está a confiança no nosso próprio poder é olhar no espelho e observar o nosso reflexo. Quanto tempo conseguimos fazê-lo? Será que afirmamos com segurança “o poder é meu”, olhando-nos no espelho?

A consciencialização da nossa imagem começa pelo autoconhecimento e autoaceitação daquilo que somos. Habitualmente julgamo-nos pelo pior, mas temos dificuldade em afirmar o que temos de bom. Com rapidez enumeramos uma mão cheia de defeitos. Por certo, por exemplo, numa entrevista de emprego, já nos foi pedido para enumerarmos aquilo em que somos bons, os aspectos que nos distinguem de tal forma que o empregador nos escolha sem hesitações para uma função específica em detrimento de todos os outros candidatos. Será que a resposta nos sai rapidamente ou precisamos de pensar e pensar?

Agora, o exercício passa apenas por observar a nossa imagem. Que força tem a minha imagem para mim? Que impacto tem nos outros? O que gosto mais nessa imagem?

Não vamos perder tempo logo de início a considerar o que menos gostamos, já o fizemos em tantas outras ocasiões…

O cuidado da nossa imagem é fundamental para sentirmos o nosso próprio poder e não tem nada de fútil na sua essência. Claro que alguns de nós estamos condicionados a um dress code, mas nem todos. De qualquer forma, mesmo sob um dress code, podemos jogar com os acessórios e as cores. São esses pequenos detalhes, que só nós sabemos a importância que têm, que fazem a diferença na nossa imagem e no poder que dela emana.

Há acessórios e cheiros que nos recordam pessoas importantes na nossa vida e momentos em que nos sentimos bem na nossa pele, aqueles momentos em que conseguimos enfrentar um medo, dominar uma insegurança… Pode ser um relógio que pertenceu ao nosso avô, o colar de pérolas que usámos no dia do casamento, o perfume que conseguimos ao fim de vários meses a juntar trocos no mealheiro…

A imagem que projetamos é um conjunto de roupas, acessórios, cores que, juntamente com a nossa autoconfiança, geram um poder especial. É esse poder que usamos quando procuramos um emprego novo, ou fazemos aquela conferência que há meses ensaiamos lá em casa, quando pensamos que todos estão já a dormir.

O nosso poder aumenta na medida em que vamos jogando com todas as variáveis da nossa imagem e que ousamos experimentar coisas novas com ela. Tal como quando falamos bem uma língua jogamos com as palavras com perícia, também com a nossa imagem vai sendo assim, dando pequenos passos para sair da zona de conforto, enfrentando todo o nosso potencial. O poder é seu, meu, de cada um!

 

Fonte: RH Online

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